A escolha adequada de panos para Salas Limpas é um fator crítico na prevenção de contaminação em ambientes controlados. Diferentes tipos de tecidos, métodos de fabricação, tamanhos e aplicações exigem atenção especial, especialmente em setores como farmacêutico, eletrônico, alimentício e hospitalar. Este guia explora os principais tipos de panos utilizados, considerando critérios técnicos e normativos.

Tipos de Salas Limpas

Salas limpas são ambientes de controle de contaminação cruciais para uma variedade de indústrias, desde a fabricação de semicondutores até a produção farmacêutica. A eficácia desses ambientes depende de uma série de fatores, incluindo a escolha dos materiais de limpeza. Os panos para salas limpas, ou wipers, são ferramentas indispensáveis nesse processo, e a seleção inadequada pode comprometer a classificação da sala limpa e a qualidade dos produtos. Este guia detalhado explora os principais tipos de panos, suas características aprofundadas e aplicações ideais. A escolha do pano ideal depende diretamente do tipo e uso da Sala Limpa:

  • Salas de Produção Farmacêutica – exigem higienização com panos que não liberem fibras, com resistência química para suportar desinfetantes como álcool isopropílico e peróxido de hidrogênio.
  • Salas da Indústria Eletrônica ou de Semicondutores – requerem panos que não gerem carga eletrostática e sejam compatíveis com superfícies sensíveis.
  • Ambientes hospitalares ou laboratoriais – demandam panos com alta eficiência na remoção de microrganismos, muitas vezes combinados com agentes desinfetantes.

Como são classificadas as Salas Limpas

Segundo a norma ISO 14644-1, as Salas Limpas são classificadas conforme a concentração de partículas por metro cúbico:

  • ISO Classe 1 a 4 – Ambientes ultralimpos, como fabricação de microchips. Exigem panos de alta pureza, com vedação a laser e ausência total de fiapos.
  • ISO Classe 5 a 7 – Comuns na indústria farmacêutica e cosmética. Permitem panos de poliéster tricotado com selagem ultrassônica.
  • ISO Classe 8 e 9 – Ambientes menos críticos, como áreas de preparação ou pré-envase. Aqui, panos não tecidos podem ser utilizados com segurança.

Impacto das partículas na classificação da sala limpa e pontos de entrada de contaminação

A eficácia de uma Sala Limpa depende diretamente do controle rigoroso da quantidade e do tipo de partículas presentes no ambiente. As partículas — tanto viáveis (como microrganismos) quanto não viáveis (como poeira, fibras ou resíduos químicos) — influenciam diretamente na classificação da Sala Limpa, conforme os critérios da norma ISO 14644-1 e, em ambientes farmacêuticos, também pelas diretrizes da BPF (Boas Práticas de Fabricação).

Cada partícula pode ser um vetor de contaminação. Fibras soltas de um pano mal especificado podem comprometer processos críticos, causando:

  • Falhas em produtos sensíveis
  • Contaminação microbiológica
  • Desclassificação da sala durante auditorias

Impacto das partículas

Cada classe ISO estabelece limites máximos de partículas em suspensão por metro cúbico de ar, variando conforme o tamanho da partícula (0,1 µm, 0,5 µm, etc). A introdução de partículas acima desses limites pode levar à:

  • Desclassificação da sala durante auditorias
  • Rejeição de lotes de produção
  • Risco de contaminação cruzada
  • Comprometimento da integridade de produtos farmacêuticos, eletrônicos ou alimentícios

O uso inadequado de panos que liberam fiapos ou partículas invisíveis pode contribuir significativamente para esse problema, especialmente em áreas classificadas como ISO 5 ou inferiores (graus A e B BPF).

Principais pontos de entrada de contaminação

Mesmo com um sistema de ventilação e filtragem (HEPA/ULPA) eficiente, partículas podem ser introduzidas no ambiente limpo por diversas vias. Os principais pontos críticos incluem:

Pessoas

  • Fonte primária de partículas viáveis (micro-organismos) e não viáveis (células da pele, cabelos, fiapos de roupas).
  • A movimentação, respiração e o contato com superfícies aumentam a dispersão de partículas.
  • Controle: uso de vestimentas apropriadas, procedimentos de entrada e treinamentos contínuos.

Materiais e Equipamentos

  • Caixas, embalagens, ferramentas e utensílios mal higienizados podem carrear partículas externas.
  • O próprio atrito de materiais com superfícies pode gerar partículas microscópicas.
  • Controle: procedimentos de sanitização na área de transferência, uso de panos adequados para limpeza antes da entrada.

Fluxo de ar e pressões diferenciais mal calibradas

  • Vazamentos ou diferenças de pressão entre áreas classificadas e não classificadas podem gerar migração de partículas pelo ar.
  • Controle: monitoramento contínuo da pressão diferencial e verificação periódica da integridade dos filtros HEPA.

Superfícies mal higienizadas

  • Bancadas, pisos, paredes ou equipamentos acumulam partículas se a limpeza não for adequada ou frequente.
  • O uso de panos inadequados pode redistribuir sujidades em vez de removê-las.
  • Controle: uso de panos com baixa liberação de partículas, compatíveis com desinfetantes e adaptados à superfície.

Processos ou movimentações internas

  • Operações como abertura de frascos, movimentação de embalagens, troca de peças ou ajustes de equipamentos geram partículas locais.
  • Controle: adoção de procedimentos operacionais padrão (POPs) e uso de panos com vedação de borda (laser ou ultrassônica) para remoção segura de contaminantes.

Qual o tamanho ideal do pano para cada aplicação?

O tamanho influencia na eficiência da limpeza e no controle da carga biológica. Os tamanhos mais comuns são:

  • 23×23 cm – Ideal para pequenas superfícies, equipamentos ou manipulação pontual.
  • 30×30 cm ou 30×38 cm – Tamanho padrão para limpezas gerais em bancos, paredes e pisos.
  • 60×60 cm ou maiores – Utilizados para descontaminação de grandes áreas, tetos ou para envolver materiais ao entrar na Sala Limpa.
  • Tamanhos personalizados – Os panos podem ser personalizados de acordo com a necessidade de aplicação do cliente.

Dica: escolher um pano proporcional à superfície evita desperdício e minimiza o risco de redistribuição de partículas.

Qual o material ideal do pano para cada aplicação?

Panos 100% Poliéster Tricotado

  • Ideal para ISO 3 a 6.
  • Alta resistência mecânica e química.
  • Extremamente baixo desprendimento de partículas.
  • Compatível com autoclavagem e uso com desinfetantes.

Não Tecidos (Nonwovens)

  • Usados em ISO 7 a 9.
  • Compostos por fibras sintéticas unidas por processos químicos, térmicos ou mecânicos.
  • São descartáveis e de baixo custo, mas podem liberar mais partículas que panos tricotados.

Poupa de Algodão (Cellulose)

  • Alta absorção, mas maior risco de liberação de fibras.
  • Usados para limpezas brutas ou em pré-salas.
  • Evitar em áreas críticas (ISO 5 ou menores).

Panos com Agentes Eletroestáticos

  • Atrai partículas por carga eletrostática.
  • Ideal para áreas com risco de contaminação por poeira.
  • Frequentemente usado em limpeza a seco ou manutenção preventiva.

Panos com Fio Condutor

  • Integram filamentos condutores (geralmente carbono) no tecido.
  • Evitam acúmulo de carga eletrostática (ESD).
  • Essenciais na indústria de eletrônicos e dispositivos médicos sensíveis.

Panos com borda selada: importância e tipos de selagem

A borda de um pano para Sala Limpa é um dos principais pontos de liberação de partículas e fiapos, especialmente em tecidos tricotados. Para ambientes críticos — como áreas ISO 5 ou classificações BPF Grau A/B — a borda precisa ser selada de maneira eficaz para evitar a geração de contaminantes.

Panos para salas limpas com borda selada passam por processos térmicos ou físicos que fundem ou estabilizam as extremidades do tecido, evitando o desfiamento durante o uso. Além disso, proporcionam maior durabilidade ao pano e reduzem o risco de contaminação cruzada.

Vantagens dos Panos com Borda Selada:

  • Menor liberação de partículas e fibras (essencial em áreas críticas)
  • Maior integridade estrutural do pano durante o uso e o descarte
  • Melhor desempenho na limpeza, pois a borda não interfere na fricção com a superfície
  • Compatibilidade com autoclavação (no caso de panos estéreis)

Tipos de Selagem de Bordas

Selagem por Laser

  • Utiliza um feixe de laser de alta precisão para fundir os fios da borda do tecido.
  • Garante selagem uniforme e limpa, sem adicionar material externo ao pano.
  • Ideal para panos 100% poliéster tricotados de uso em salas ISO 5 ou inferiores (ambientes de altíssima exigência).
  • Oferece baixa liberação de partículas e excelente desempenho em áreas estéreis.

Selagem Ultrassônica

  • Utiliza vibrações ultrassônicas para fundir as bordas por fricção mecânica controlada.
  • Também gera uma borda lisa e resistente, mas pode ser levemente mais texturizada que a selagem a laser.
  • É uma alternativa eficaz para salas ISO 6 a ISO 8, com boa relação custo-benefício.
  • Pode ser usada em panos de poliéster e alguns tipos de tecidos compostos.

Quando usar panos com borda selada?

A escolha de panos para salas limpas com borda selada deve ser feita conforme a criticidade da área:

Classificação da Sala Limpa Tipo de Selagem Recomendado
ISO 5 / Grau A-B (GMP) Borda selada a laser
ISO 6 Borda selada a laser ou ultrassônica
ISO 7 – ISO 8 Selagem ultrassônica ou corte térmico controlado

Panos com borda selada representam um componente essencial no controle de contaminação em Salas Limpas. A escolha do tipo de selagem deve ser feita com base na classificação da sala, no nível de exigência regulatória e no tipo de aplicação (limpeza de superfícies, equipamentos, áreas estéreis etc.).
Ignorar esse aspecto pode comprometer todo o controle ambiental do processo produtivo, principalmente em indústrias farmacêuticas, biotecnológicas e eletrônicas de alta precisão.

Panos secos e panos úmidos: quando e como utilizar em salas limpas

A escolha entre panos para sala limpa secos ou úmidos em ambientes controlados deve ser feita com base na natureza da limpeza, tipo de contaminante e classificação da Sala Limpa. Ambos têm aplicações específicas e são essenciais para manter o controle de partículas viáveis e não viáveis no ambiente.

Panos Secos

Os panos secos são utilizados principalmente para:

  • Remoção física de partículas não viáveis (poeira, fibras, resíduos sólidos)
  • Aplicações com agentes líquidos controlados (quando o operador deseja aplicar uma solução específica manualmente)
  • Polimento ou secagem de superfícies após desinfecção
  • Limpeza intermediária em áreas de baixo risco

Características Técnicas:

  • Podem ser confeccionados em 100% poliéster, poliéster/nylon, não tecidos ou misturas específicas
  • Ideais para superfícies lisas e sensíveis
  • Disponíveis com borda selada para salas ISO 5 ou superiores
  • Esterilizados ou não esterilizados, conforme aplicação

Exemplos de Uso:

  • Limpeza de equipamentos eletrônicos sensíveis (com risco de oxidação se forem usados panos úmidos)
  • Áreas de inspeção visual
  • Aplicações onde o operador utiliza um desinfetante personalizado ou específico, aplicando via spray ou frasco

Panos Úmidos (Pre-Saturated Wipers)

Panos úmidos são panos pré-umedecidos com soluções específicas, geralmente álcool isopropílico (IPA) 70%, etanol ou desinfetantes compatíveis com o ambiente da Sala Limpa. Eles oferecem maior eficiência de limpeza e desinfecção, pois:

  • Reduzem a liberação de partículas durante a aplicação (por eliminar o spray aéreo)
  • Proporcionam umidade controlada e uniforme, evitando excesso ou falta de produto
  • Diminuem o tempo de preparo e aumentam a padronização do processo

Características Técnicas:

  • Umedecidos em ambiente controlado com validação microbiológica
  • Com teor alcoólico e volume controlado por lote
  • Disponíveis em versões esterilizadas para áreas grau A/B, ou não estéreis para áreas grau C/D ou ISO 7/8
  • Oferecem rastreabilidade por lote (ideal para ambientes GMP)

Exemplos de Uso:

  • Desinfecção de superfícies em ambientes estéreis
  • Limpeza de bancadas em salas classificadas
  • Aplicações críticas em áreas ISO 5, onde é necessário evitar a formação de aerossóis

Comparativo Rápido: Panos Secos vs. Panos Úmidos

 

Critério Panos Secos Panos Úmidos
Tipo de contaminação Partículas não viáveis Partículas viáveis e não viáveis
Controle de umidade Manual, via aplicação externa Controlado e padronizado
Risco de aerossolização Baixo Mínimo (sem necessidade de spray)
Aplicação Limpeza geral, secagem Desinfecção, pré-limpeza em áreas críticas
Esterilidade Opcional Disponível em versões estéreis
Recomendado para ISO 6–8, apoio em ISO 5 ISO 5 ou superiores, grau A/B GMP

A escolha entre pano seco e pano úmido deve levar em conta o nível de exigência da área, o tipo de sujidade a ser removida e a estratégia de limpeza da empresa. Idealmente, ambas as versões devem estar disponíveis no plano de higienização, com critérios claros de uso conforme o ambiente.

Superfícies onde os panos para salas limpas podem ser utilizados

Os panos para salas limpas são projetados para atuar em diferentes tipos de superfícies, cada uma com exigências específicas quanto à capacidade de limpeza, compatibilidade química e risco de abrasividade. A seleção correta do pano depende diretamente do tipo de superfície a ser higienizada:

Superfícies lisas e não porosas

Exemplos: aço inox, acrílico, vidro, alumínio anodizado, plástico rígido (como PVC ou polipropileno)

  • Requisitos: limpeza sem arranhões, sem deixar resíduos ou fiapos.
  • Pano indicado: poliéster tricotado com borda selada (laser ou ultrassônica), seco ou umedecido com IPA 70%.
  • Aplicações comuns: bancadas, capelas de fluxo laminar, equipamentos de pesagem, painéis de controle.

Superfícies texturizadas ou levemente porosas

Exemplos: pisos vinílicos, epóxi ou esmaltados; paredes com leve textura

  • Requisitos: boa capacidade de captura de partículas e remoção de sujidades sem redistribuição de contaminantes.
  • Pano indicado: panos texturizados ou com relevo, não tecidos de alta resistência ou poliéster com microtextura.
  • Aplicações comuns: pisos, rodapés, rodos de limpeza e áreas de circulação interna.

Superfícies sensíveis a cargas eletrostáticas (ESD)

Exemplos: placas eletrônicas, sensores, equipamentos de metrologia fina

  • Requisitos: prevenção de descargas eletrostáticas e ausência de atrito gerador de cargas.
  • Pano indicado: panos com fios condutores ou tratados com agentes antiestáticos, preferencialmente secos.
  • Aplicações comuns: áreas de montagem de componentes eletrônicos, salas ISO 3-5.

Superfícies irregulares ou de difícil acesso

Exemplos: trilhos de portas, dobradiças, frestas de equipamentos

  • Requisitos: flexibilidade, capacidade de penetração e ausência de desintegração do tecido.
  • Pano indicado: panos não tecidos maleáveis ou panos em rolo com opções de corte, podendo ser umedecidos.
  • Aplicações comuns: áreas de manutenção e validação, limpeza de equipamentos desmontáveis.

Superfícies em contato com produto ou área estéril

Exemplos: tanques de envase, linhas de enchimento, utensílios esterilizados

  • Requisitos: esterilidade validada, baixo teor de endotoxinas, ausência de liberação de partículas e compatibilidade com desinfetantes.
  • Pano indicado: poliéster tricotado estéril com borda selada, autoclavável ou pré-umedecido estéril.
  • Aplicações comuns: salas ISO 5 e ISO 6 classificadas como grau A/B (GMP), linhas assépticas.

A escolha correta dos panos para Salas Limpas deve considerar a classe ISO, tipo de superfície, frequência de uso, compatibilidade química e regulamentações da indústria. Investir em panos de alta qualidade reduz riscos de contaminação, garante conformidade regulatória e aumenta a segurança dos processos críticos.

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