Saber como fazer a análise de DBO5 exige mais do que medir o oxigênio dissolvido antes e depois da incubação. O resultado depende da preparação da amostra, da qualidade da água de diluição, da atividade dos microrganismos, da escolha das diluições e do controle das condições durante cinco dias.
A Demanda Bioquímica de Oxigênio em cinco dias estima a quantidade de oxigênio consumida durante a degradação biológica da matéria presente em uma amostra.
O princípio do ensaio envolve:
- Preparar diferentes diluições da amostra.
- Medir o oxigênio dissolvido inicial.
- Incubar os frascos em condições controladas.
- Medir o oxigênio dissolvido final.
- Calcular a depleção e corrigir o resultado pela diluição.
- Descontar a contribuição da semente, quando utilizada.
- Avaliar os controles antes da liberação.
Por ser um ensaio definido pelo método e dependente de atividade biológica, a execução deve seguir a versão aplicável do Standard Methods 5210 B, de outro método reconhecido ou do procedimento validado pelo laboratório.
Etapas da análise de DBO5
| Etapa | Atividade principal | Ponto crítico |
|---|---|---|
| 1 | Receber e condicionar a amostra | Preservação, prazo e temperatura |
| 2 | Preparar a água de diluição | Qualidade da água e nutrientes |
| 3 | Avaliar a necessidade de semeadura | Atividade microbiológica da amostra |
| 4 | Preparar a semente | Reidratação, homogeneização e controle |
| 5 | Selecionar as diluições | Obter depleção mensurável e OD residual |
| 6 | Avaliar e tratar a amostra | pH, cloro residual e interferentes |
| 7 | Montar os frascos | Volumes corretos e ausência de bolhas |
| 8 | Medir o OD inicial | Calibração e estabilidade da leitura |
| 9 | Incubar por cinco dias | Tempo, temperatura e ausência de luz |
| 10 | Medir o OD final | Aplicação da mesma técnica da leitura inicial |
| 11 | Calcular a DBO5 | Diluição e correção da semente |
| 12 | Validar e liberar o lote | Branco, GGA, controles e duplicatas |
Materiais e equipamentos utilizados
A estrutura necessária depende do método e da rotina do laboratório. De maneira geral, a análise utiliza:
- frascos específicos para DBO, normalmente de 300 mL;
- incubadora com controle de temperatura;
- medidor de oxigênio dissolvido ou sistema de titulação;
- pipetas e dispositivos volumétricos;
- água de qualidade adequada;
- soluções de nutrientes;
- solução de glicose e ácido glutâmico;
- reagentes para ajuste de pH;
- agente para neutralização de cloro, quando necessário;
- inóculo microbiológico;
- inibidor de nitrificação, quando o parâmetro for CBOD5;
- termômetro e dispositivos de monitoramento;
- planilha ou sistema para registro dos dados.
Todo material deve estar limpo, identificado e compatível com o procedimento. Resíduos de matéria orgânica ou de produtos de limpeza podem interferir no consumo de oxigênio.
1. Receber e condicionar a amostra
A amostra continua biologicamente ativa depois da coleta. Por isso, o tempo e as condições de transporte podem alterar sua composição.
No recebimento, o laboratório deve registrar:
- identificação;
- origem;
- data e horário da coleta;
- data e horário do recebimento;
- temperatura;
- condições do recipiente;
- preservação;
- prazo disponível para iniciar o ensaio.
A análise deve começar dentro do período estabelecido pelo método ou pelo programa aplicável.
Amostras refrigeradas precisam ser condicionadas à temperatura prevista antes da preparação. As orientações sobre o método 5210 B também recomendam verificar o pH e avaliar a presença de cloro residual.
2. Preparar a água de diluição
A água de diluição fornece o meio necessário para manter os microrganismos ativos durante a incubação.
Água deionizada, destilada ou produzida por osmose reversa pode ser utilizada como base, mas precisa receber os nutrientes e componentes previstos pelo método.
Normalmente, a preparação envolve soluções contendo:
- tampão fosfato;
- sulfato de magnésio;
- cloreto de cálcio;
- cloreto férrico.
A água deve apresentar temperatura e concentração de oxigênio dissolvido compatíveis com o ensaio.
Também é necessário preparar um branco da água de diluição. Ele permite verificar se a água, os nutrientes, a vidraria ou o sistema de preparação estão exercendo demanda de oxigênio.
No procedimento de aplicação do PolySeed, é adotada como referência uma depleção inferior a 0,2 mg/L no branco após cinco dias. O laboratório deve confirmar o critério na versão do método utilizada.
3. Avaliar se a amostra precisa de semente
A semente fornece os microrganismos responsáveis pela degradação biológica quando a amostra não contém uma população suficiente ou adequada.
A semeadura pode ser necessária em:
- amostras cloradas ou desinfetadas;
- efluentes submetidos a tratamento físico-químico;
- determinados efluentes industriais;
- amostras com baixa atividade microbiológica;
- efluentes tratados;
- amostras após neutralização;
- matrizes nas quais os microrganismos foram removidos ou inibidos.
A adição não deve ser automática. Amostras com população microbiológica suficiente podem ser analisadas sem uma fonte externa.
Quando a semente é utilizada, sua contribuição para o consumo de oxigênio precisa ser medida e corrigida.
4. Preparar o inóculo
A semente pode ter origem local ou comercial. Fontes variáveis exigem atenção especial à atividade, à composição e à presença de nitrificantes.
O PolySeed para DBO5 fornece uma mistura padronizada de culturas microbiológicas de amplo espectro.
Segundo o procedimento de aplicação do fabricante, o conteúdo da cápsula deve ser transferido para água de diluição preparada conforme o método.
O fluxo geral inclui:
- Transferir o conteúdo da cápsula para a água de diluição.
- Aerar e agitar a solução durante o período recomendado.
- Deixar o material carreador decantar.
- Separar cuidadosamente o sobrenadante.
- Manter a solução sob agitação suave durante o uso.
- Distribuir alíquotas controladas.
- Preparar os controles da semente e o GGA.
O material carreador não deve ser transferido aos frascos. A cápsula também não deve ser adicionada diretamente a cada amostra.
5. Selecionar as diluições
A quantidade de amostra precisa produzir uma depleção mensurável sem consumir todo o oxigênio disponível.
Em procedimentos associados ao Standard Methods 5210 B, uma diluição é normalmente considerada adequada quando apresenta:
- depleção de pelo menos 2,0 mg/L;
- concentração residual de pelo menos 1,0 mg/L após a incubação.
As orientações técnicas para o ensaio recomendam trabalhar com mais de uma diluição.
O histórico da matriz ajuda a selecionar os volumes. Para amostras desconhecidas ou variáveis, é prudente utilizar uma faixa mais ampla.
Quando o volume necessário é muito pequeno, pode ser preciso preparar uma diluição preliminar. O fator adicional deve ser registrado e incluído no cálculo.
6. Avaliar o pH, o cloro residual e as interferências
Antes da montagem, a amostra deve ser avaliada quanto às condições que podem inibir os microrganismos.
pH
Valores muito ácidos ou alcalinos podem reduzir a atividade biológica. Quando necessário, o pH deve ser ajustado conforme o método, evitando excesso de reagente ou alterações significativas no volume.
Cloro residual
O cloro pode inibir os microrganismos presentes na amostra e a semente adicionada. Quando detectado, precisa ser neutralizado de acordo com o procedimento.
Amostras coletadas depois de uma etapa de desinfecção frequentemente precisam de semeadura após a neutralização.
Toxicidade
Metais, solventes, biocidas e outros compostos podem reduzir a atividade microbiológica. Um possível sinal de toxicidade ocorre quando diluições mais concentradas produzem valores menores que diluições mais altas.
Nenhum inóculo elimina automaticamente a toxicidade da matriz.
7. Montar os frascos de DBO
Os frascos devem ser identificados antes da preparação.
Para cada diluição:
- Adicionar parte da água de diluição.
- Transferir o volume definido de amostra.
- Adicionar a semente, quando aplicável.
- Completar cuidadosamente com água de diluição.
- Inserir o batoque sem deixar bolhas.
- Verificar a vedação.
- Preparar o selo de água, quando previsto.
A homogeneização da amostra deve ser repetida antes de cada alíquota, principalmente quando há sólidos suspensos.
Pipetas estreitas podem reter partículas e produzir uma subamostra pouco representativa. O material volumétrico deve ser compatível com a matriz e o volume utilizado.
Além das amostras, o lote deve incluir os controles previstos, como:
- branco;
- controles da semente;
- GGA;
- duplicatas;
- outros controles definidos pelo sistema de qualidade.
8. Medir o oxigênio dissolvido inicial
O medidor deve ser calibrado e verificado antes das leituras.
É necessário controlar:
- condição do sensor;
- compensação de temperatura;
- pressão atmosférica, quando aplicável;
- ausência de bolhas;
- estabilidade da leitura;
- limpeza entre os frascos;
- tempo entre preparação e medição.
O OD inicial deve ser determinado em cada diluição conforme o procedimento.
Utilizar uma única leitura para representar todos os frascos pode ignorar diferenças provocadas pelo volume de amostra, temperatura ou demanda imediata.
Os valores devem ser registrados imediatamente e associados à identificação correta do frasco.
9. Incubar os frascos por cinco dias
Os frascos são normalmente incubados:
- durante cinco dias;
- a 20 ± 1 °C;
- no escuro;
- sem bolhas;
- com vedação adequada.
A tolerância do período de incubação deve ser confirmada no método utilizado.
A temperatura precisa ser acompanhada durante todo o ensaio. Um único registro no início ou no final não demonstra que a condição permaneceu controlada.
A proteção contra luz evita que organismos fotossintetizantes produzam oxigênio dentro do frasco.
Os selos de água devem ser inspecionados durante o período para evitar perda por evaporação.
10. Medir o oxigênio dissolvido final
Ao término da incubação, os frascos devem ser retirados e lidos dentro do período previsto.
Antes de remover o batoque:
- verificar a presença de bolhas;
- observar vazamentos;
- confirmar a identificação;
- retirar a água acumulada no selo;
- avaliar a integridade do frasco.
A leitura final deve utilizar a mesma técnica adotada inicialmente.
Instabilidade, deriva ou demora excessiva de resposta do sensor precisam ser investigadas antes da continuidade.
11. Calcular a DBO5
Para uma amostra sem adição de semente, a fórmula básica é:
DBO5 = (D1 − D2) ÷ P
Em que:
- D1: OD inicial;
- D2: OD final;
- P: fração decimal da amostra no frasco.
Quando há semeadura, a contribuição do inóculo deve ser descontada:
DBO5 = [(D1 − D2) − SCF] ÷ P
O fator deve representar a solução e o volume de semente utilizados naquele lote.
Diluições preliminares também precisam ser incorporadas ao cálculo.
O artigo Cálculo da DBO5: fórmula e exemplos práticos apresenta exemplos completos com e sem correção da semente.
12. Avaliar os controles e liberar o resultado
O resultado não deve ser liberado apenas porque a fórmula produziu um número.
Antes da aprovação, o laboratório precisa avaliar:
| Elemento | O que verificar |
|---|---|
| Branco | Depleção dentro do critério adotado |
| Controle da semente | Atividade e correção compatíveis |
| GGA | Recuperação dentro dos limites |
| Diluições | Depleção e OD residual adequados |
| Duplicatas | Repetibilidade aceitável |
| Incubação | Tempo, temperatura e ausência de luz |
| Medidor de OD | Calibração e desempenho |
| Cálculo | Volumes, fatores, correções e unidades |
| Registros | Rastreabilidade completa do lote |
Quando mais de uma diluição é válida, os resultados devem ser comparados. Grande dispersão pode indicar toxicidade, sedimentação, falha de homogeneização, erro volumétrico ou correção inadequada.
O artigo sobre controle de qualidade na análise de DBO detalha essa avaliação.
DBO5 e CBOD5 seguem o mesmo procedimento?
Os ensaios apresentam etapas semelhantes, mas não são equivalentes.
Na DBO5 convencional, a nitrificação pode contribuir para o consumo de oxigênio. Na CBOD5, um inibidor é utilizado para concentrar a determinação na demanda carbonácea.
Por isso:
- o PolySeed é direcionado à semeadura de DBO5;
- o PolySeed NX reúne culturas microbiológicas e inibição da nitrificação para CBOD5.
Utilizar PolySeed NX em um ensaio que deveria determinar DBO5 pode modificar o parâmetro medido.
A escolha deve seguir a licença, o método, o procedimento ou o programa de monitoramento aplicável.
Checklist do procedimento de DBO5
Antes de finalizar o lote, confirme:
- A amostra foi recebida dentro das condições previstas.
- O prazo de análise foi atendido.
- A água de diluição foi preparada com os nutrientes necessários.
- O pH e o cloro residual foram avaliados.
- A necessidade de semeadura foi definida.
- O inóculo foi preparado e controlado.
- Foram utilizadas diluições compatíveis com a matriz.
- Os frascos foram preenchidos sem bolhas.
- O OD inicial foi medido em cada diluição.
- A incubação ocorreu no tempo e na temperatura previstos.
- O OD final foi medido corretamente.
- Somente diluições válidas foram calculadas.
- A contribuição da semente foi corrigida.
- Branco, GGA e controles atenderam aos critérios.
- O lote foi revisado antes da liberação.
Perguntas frequentes sobre como fazer análise de DBO5
Qual é a temperatura da análise de DBO5?
Os procedimentos convencionais normalmente utilizam incubação a 20 ± 1 °C. O laboratório deve confirmar a faixa na versão do método adotado.
Quantos dias dura o ensaio?
A DBO5 utiliza um período de incubação de cinco dias, dentro da tolerância prevista pelo método.
Toda amostra precisa receber semente?
Não. A semeadura é necessária quando a amostra não contém uma população microbiológica suficiente ou adequada para o ensaio.
Quantas diluições devem ser preparadas?
A quantidade depende da matriz e do histórico. Trabalhar com mais de uma diluição aumenta a probabilidade de obter frascos que atendam aos critérios após cinco dias.
Como saber se uma diluição é válida?
Em procedimentos associados ao Standard Methods 5210 B, é comum exigir depleção mínima de 2,0 mg/L e OD residual de pelo menos 1,0 mg/L.
O branco deve ser corrigido diretamente no resultado?
O branco é utilizado para avaliar a qualidade da água e da preparação. Uma depleção acima do limite deve ser investigada conforme o método, e não simplesmente descontada das amostras.
Qual é a diferença entre PolySeed e PolySeed NX?
O PolySeed fornece culturas para a semeadura de DBO5. O PolySeed NX inclui um aditivo para inibir a nitrificação e é direcionado à CBOD5.
Padronize a semeadura da análise de DBO5
A confiabilidade da análise depende da execução consistente de todas as etapas: preparação da água, escolha das diluições, atividade da semente, medição de OD, incubação, cálculo e avaliação dos controles.
Quando a amostra precisa de semeadura, uma fonte microbiológica padronizada ajuda a reduzir a variabilidade associada a inóculos de origem local.
A CMS Científica fornece o PolySeed para ensaios convencionais de DBO5 e o PolySeed NX para determinações de CBOD5 com controle da nitrificação.
Consulte a equipe técnica da CMS para avaliar o produto compatível com o método utilizado pelo laboratório.
